quarta-feira, 30 de novembro de 2011

E de repente, a vida dá uma virada!


 
O dia 18/03/2011 foi, até agora, o pior dia da minha vida. Por volta de 11 horas da noite, o celular tocou e vi que era o número do meu filho, Vinícius. Atendi e alguém do outro lado me diz que meu filho havia sofrido um acidente e que era melhor nós irmos para Campina Grande. Morávamos em Maceió e ele estudava na UFCG. Perguntei como ele estava, se tinha machucado muito e a pessoa me  falou, assim, “na lata”, que infelizmente ele tinha ido a óbito. Eu estava sozinha, meu marido estava em Recife, minhas filhas também, pois estudam aqui (me mudei para Recife). E nem por um momento achei que pudesse não ser verdade, que talvez fosse um engano. Eu sabia que era verdade. Não sei como consegui passar aquela noite sem enlouquecer.
Pela manhã minha funcionária chegou, minhas filhas, meus compadres, minha mãe, irmã e cunhado. Todos residem fora de Maceió.

Meu marido foi para Campina Grande, não sem antes ir para a emergência médica.
Bem, passados os dias, a rotina obrigatoriamente toma conta da vida de todos.
E nós, pais e avós, ainda tentando entender o que aconteceu em nossas vidas.
A dor é tão imensa que parece estarmos anestesiados.
Eu sempre me identifiquei com a maioria das explicações dadas pelo espiritismo, pelas obras de Alan Kardec. Mas aí vêm as dúvidas. É o meu filho que se foi. Foi para onde? Eu sempre cuidei dele e agora nem sei onde ele se encontra? Ele me ligava para perguntar porque o chão do apartamento dele ficava todo marcado se ele tinha acabado de limpar! Ele pisava no chão sujo e depois onde já havia passado o pano. Me ligava para perguntar se podia comer o feijão que estava na geladeira há mais de dois dias! Ele queria comer batata doce e não sabia escolher e me ligava do supermercado! Se tal marca de leite era boa, porque estava mais barato! Como esse menino ia fazer sem mim? Como podem te dar um presente tão lindo e depois pegar de volta? 

Na verdade nunca me revoltei. Entendo todo o processo – nascer, crescer, morrer. Ainda entendo a lei de causa e efeito, ação e reação. Entendo tudo isso. Mas dói. Tanto que me pego sem vontade de ouvir uma música, de passar um creme no rosto, de tentar ser feliz. Aí dá aquela vontade de falar a respeito de tudo isso. De como o Vinícius era, o que ele queria fazer, o que me fazia rir, ficar brava, o acidente, o luto. E percebi que as pessoas não querem ouvir. Acham que não falando, não sofro tanto, esqueço um pouco que aquele ser tão amado já não está mais aqui comigo. Não sei se o medo é de nos magoar ou o medo é de se colocar no nosso lugar. Então o assunto morte se torna um tabu.
Mas falar dele é muito importante para mim, me faz bem.
Então, se está acontecendo comigo, está acontecendo com muitas pessoas.
E porque não ter um espaço onde possamos simplesmente falar sobre o luto, sobre a vida e a morte do ente querido? Um espaço onde possamos simplesmente ouvir alguém que precisa ser ouvido?

Convido vocês a fazerem desse espaço, um porto seguro.
E para começar, pesquisei um pouquinho sobre o assunto 'morte' no cotidiano das pessoas.

Confiram nos próximos posts!

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2 comentários:

  1. Oi Márcia!me identifiquei muito ,principalmente quando vc fala que as pessoas não gostam de falar no assunto ,que coisa ,só quem perde sabe ,que a gente gosta muito de falar deles, até hoje gosto de falar ,precisamos avisar as pessoas que falar faz bem pra quem perde.
    Se precisar de mim estou aqui para te escutar .
    Um grande bjo.
    Eliane

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  2. Olá Eliane. Então, sabe que tenho receio de falar a respeito até dentro de casa? Percebo que ninguém se sente à vontade. E aí acho que vou entristecer o outro que está bem. Então penso - prá que perturbá-los? Veja que não tive coragem de falar com você a respeito de suas filhas! Você tem razão. Precisamos avisar as pessoas que gostamos de falar de quem não está mais conosco fisicamente mas ainda é alguém a quem amamos e muito. Esse ser que não está mais fisicamente conosco ainda é meu filho, sua filha, ainda é o irmão, o neto. Como não falar dele, do que ele gostava, das tranquinagens que nos fizeram rir, dos sustos que nos deram? Vamos falar dos nossos amores sim! E estou aqui para conversarmos a respeito. Beijos!

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