sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Vamos conversar?



Quantas vezes você se pegou com um aperto no peito, uma angústia danada, olha para um lado, olha para outro e não encontra uma deixa para desabafar?
Quantas vezes você apenas queria contar alguma coisa, falar a respeito de algum assunto que aparentemente só diz respeito a você mesmo, mas não encontra uma só pessoa que esteja disposta a ouvi-lo?
Isso não significa que você seja uma pessoa solitária não. Você tem família, filhos, marido, irmãos, sobrinhos, amigos. Mas ninguém gosta de assuntos chatos, tristes. Bem que você já tentou iniciar uma conversa, mas mudam de assunto, saem de mansinho, dizem para “deixar esse assunto prá lá”.
Quando o assunto é a morte de um ente querido então, as pessoas ignoram. Talvez porque acham que falando sobre a pessoa que morreu, o sofrimento aumenta, ou mesmo porque têm medo de se colocar no lugar de quem sofreu a perda. Aí fogem da situação.
Mas é tão bom falar de alguém que amamos tanto e já não se encontra fisicamente entre nós! Esse ser tão amado faz parte da nossa vida, temos tantas lembranças dele, sorrimos tantas vezes ao nos recordarmos de fatos, falas, brincadeiras. Sendo assim, como não falar mais dele? E porque não falarmos sobre a morte física , como ocorreu, o quanto dói a saudade, o quanto queríamos um abraço, um beijo, uma bronca. E porque não questionarmos os fatos que culminaram com a perda desse filho, marido, pai, mãe? E se tivesse sido assim? E se ele não tivesse ido? E se eu não tivesse deixado? Eu poderia ter evitado? Alguém poderia ter impedido?
Mas a questão é que ninguém quer ouvir. Por vários motivos, mas ninguém quer ouvir.
E precisamos falar. Faz-nos bem falarmos sobre a dor que nos aflige. Alivia o coração.
Precisamos falar sobre muitas coisas chatas. Solidão, problemas financeiros, familiares, de saúde. São tantas as aflições desse mundo de meu Deus!
Então faço um convite a vocês, que precisam falar a respeito de coisas que ninguém quer ouvir. Vamos conversar?

Um comentário:

  1. Oito meses sem ele. Oito longos meses sem ver, ouvir, abraçar meu filho querido. Tão lindo, tão cheio de sonhos, tão resolvido! Nem vinte anos ainda tinha feito. E de repente, não o tenho mais comigo. De repente, a vida se foi. Assim, sem mais nem menos, sem avisar, sem se despedir, sem se preparar. Dói tanto que nem sei se oito meses é muito e por isso sinto tanta saudade ou se é pouco e porisso a dor é tão latente. Não tem nada que me distraia o pensamento, que me deixa alegre, apesar de estar me esforçando tanto. Ao abrir os olhos pela manhã, o primeiro pensamento é para ele. Por um segundo penso que não é verdade, mas a realidade se mostra logo. Fazer uma oração, chorar um pouco quando não tem ninguém vendo, fazer o que tem que ser feito, passar o dia e
    torcer para chegar a hora de dormir de novo. Será que um dia isso vai melhorar?

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